arquitectura

NEOCLASSICISMO

 

 

RECONSTITUIÇÃO DA CABANA PRIMITIVA

PRIMAZIA AOS EDIFÍCIOS PÚBLICOS

NOVOS TIPOS

ARQUITECTURA UTÓPICA

TRATAMENTO DAS FORMAS

FASE FINAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cabana primitiva e a origem das ordens, segundo Milizia

 

 

 

A cabana primitiva, segundo Blondel

 

 

 

 

 

 

A cabana primitiva, segundo Laugier

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ledoux.

 

 

 

 

 

 

Chiswick House, U.K.

T. Jefferson, Monticello, U.S.A

Santa Genoveva (Panteão), França

4 obras de Schinkel, Alemanha

Foi um estilo variado e complexo. Constitui-se como uma reacção aos excessos do barroco e do Rococó e uma tentativa de regresso à pureza e nobreza que, supostamente, se teria perdido na arquitectura. Daí o fascínio pela simplicidade das estruturas da arquitectura Grega.

INFLUÊNCIAS:

Ø      Fontes impressas: Vitrúvio (tratadista romano, de escassa obra, mas de profunda influência no Renascimento e neste estilo que estudamos); em Inglaterra e E.U.A assistiu-se a um forte interessa por Palladio (arquitecto e tratadista maneirista); de assinalar a importância dos livros de gravuras, muito consultados.

Ø      Classicismo do séc. XVII, que em pleno Barroco, procurou manter uma maior sobriedade.

Ø      Escavações arqueológicas e monumentos antigos (arqueologia): o primeiro a publicar resultados foi Jean-Dénis Leroy, em 1758, com um inventário dos edifícios da Grécia Antiga (“Ruines dês Plus Beaux monuments de la Grèce”); também James Stuart e Nicholas Revett, com “The Antiquities of Athens”, 1762.

 Apesar destas influências e da fidelidade aos modelos os arquitectos fizeram uma escolha crítica dos MODELOS.

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RECONSTITUIÇÃO DA CABANA PRIMITIVA:

O debate sobre este tema já vem do Renascimento. Certos teóricos franceses retomam-no (Marc Antoine Laugier e outros) e desenvolveram o conceito de pureza estrutural, demonstrando que as formas das ordens derivam da construção em poste e lintel da “primeira” cabana. Segundo obras publicadas nos finais do séc. XVIII, os toros podiam ser comparados às colunas e a decoração dos frisos advinha das juntas de madeira.

Este espírito analítico e racional levou a que os edifícios construídos tivessem um cunho próprio, distinto dos que os antecederam: profusa utilização da gramática clássica, mas grande contenção nos pormenores decorativos e ornamentos.

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O Neoclassicismo privilegiava os EDIFÍCIOS PÚBLICOS.

As entidades públicas tendiam a fazer encomendas para a construção de edifícios neste estilo, tornando-se um estilo oficial.

Também foi consequência do ILUMINISMO, uma vez que se vai exigir um maior número de construções públicas para responder a novas funções entretanto exigidos aos poderes públicos. Por outro lado, impõe-se que sejam construídos com grande dignidade pois surgem como símbolos de um novo tipo de poder. A gramática classicista prestava-se a esta linguagem: ARQUITECTURA MONUMENTAL, plena de DIGNIDADE, CLAREZA, GRAVIDADE, GRANDEZA, ORDEM, ROBUSTEZ.

Por consequência os tipos palácio e igreja passam para segundo plano, passando a ser construídos em menor número. Apesar disso, também foram influenciados pela nova estética, adoptando novos modelos: templos gregos, basílicas paleocristãs.

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SURGEM NOVOS TIPOS:

O Teatro: passa a ser público, em maior número e construído com fausto; é encarado como escola de moral, destinado à educação do povo, de acordo com os intuitos reformadores e moralizantes do iluminismo; (“Pantheon”, Londres, inspirado em Santa Sofia de Constantinopla; “Coliseu”, Campos Elíseos, Paris, etc.). Outros tipos: o Jardim (Vauxhall); o Museu (“Fridericiam”, Lassel; “Prado”, 1785/87; “Pio-clementino” e “Braccio Nuovo”, Vaticano; “Glytothéque”, Munique, etc.); a Biblioteca, o Banco, a Bolsa, a Sede de Governo, o Parlamento, o Arco de Triunfo, etc.

Nas ACADEMIAS, PROPÕEM-SE SOLUÇÕES IDEALIZADAS: não têm em conta limites espaciais ou funcionais, limitando-se a elaborar modelos teóricos de edifícios. Pela primeira vez, os autores sistematizam os seus projectos e transmitem-nos como esquemas para o futuro: surgem as escolas de arquitectura (Escola Politécnica, Paris, 1755).

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ARQUITECTURA UTÓPICA

É uma das manifestações mais espectaculares do Neoclassicismo. Os autores foram Louis Étienne Boullée (1728- 1799), Claude Nicolas Ledoux (1736- 1806) e Jean Nicolas Durand. Fazem propostas, nunca realizadas, de edifícios revolucionários, fora de toda a tradição. Assentam geometricamente no círculo e no quadrado (cubo e esfera). A escala das construções seria enormíssima. Era uma arquitectura de formas quiméricas, visionárias.

Os exemplos mais citados são o “Cénotaphe” de Boullée, projectado em1784, dedicado a Newton (esfera cósmica), e o “Cemitério Ideal” de Ledoux, em 1806.

Estas propostas revelaram-se impossíveis de se concretizarem: para isso concorreram razões financeiras, técnicas e estéticas.

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TRATAMENTO DAS FORMAS

O NEOCLASSICISMO NÃO FOI UMA MERA CÓPIA DAS ARQUITECTURAS GREGA E ROMANA: aproveita inovações técnicas modernas, tinha um carácter funcionalista, adaptava-se às tipologias novas de acordo com as exigências de uma nova civilização.

A arquitectura neoclássica correspondia a um Ideal estético, estreitamente ligado aos modelos clássicos e a uma doutrina iluminista.

Foi também sujeito a uma codificação, com as academias a cumprirem um papel normalizador.

Os edifícios que daí saíram possuíam massas compactas e superfícies planas.

 AS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS:

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Linha direita ininterrupta.

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Superfícies nuas (amplas zonas desprovidas de decoração).

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Cor branca nos exteriores.

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Gosto pelo uso de colunas (em colunatas).

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Utilização das cinco Ordens Arquitectónicas Clássicas (trave mestra), devidamente reavaliadas depois de um trabalho de análise dos diversos pormenores; houve também algumas tentativas de criação de novas ordens, umas compósitas, outras totalmente novas.

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Uso do círculo, cúpula, semi-cúpulas (como êxedras), conchas, abóbadas de berço, arco abatido.

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Decoração: consistiam essencialmente em relevos esculpidos, recuados, ocupando pequenas superfícies com poucos ornatos, com um fundo sem qualquer destaque ou sugestão de movimento e um reportório ornamental da Antiguidade (influência dos edifícios renascentistas e das escavações arqueológicas).

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Demonstraram predilecção pela iluminação zenital, em vez de janelas.

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Dispunham os elementos em planos aplicados em justaposição de espaços e formas, evitando a fluidez dos componentes.

Numa fase tardia (séc. XIX) verificou-se o Greek Revival em Inglaterra, em que se fazia a aplicação em diversas circunstâncias do modelo do TEMPLO GREGO. Esta tendência espalhou-se por toda a Europa e E.U.A., usada numa perspectiva historicizante. Os edifícios não eram copiados mas deles retiravam elementos isolados para criar novos tipos. A obra de Stuart e Revett acima citada e uma convicção cada vez mais profunda na supremacia das ordens gregas, levaram os arquitectos a copiarem-nas abundantemente. Também se associava a superioridade britânica da época à própria Grécia Antiga. O primeiro exemplo de edifício dórico foi o Teatro Convent Garden, de Robert Smirke e o mais conhecido o Museu Britânico.

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NA FASE FINAL a fórmula esvazia-se, tornando-se desprovido de interesse, paralisando a evolução artística e assumindo um tom pomposo.

Se, no seu início, procurava transpor as formas da Antiguidade para os edifícios modernos, traduzindo-se na elaboração da base da teoria da arquitectura, depois, converte-se num estilo que é procurado apenas por uma questão de prestígio político e cultural.

Também alguma da sua base é posta em causa: em finais de 1820, é descoberta a policromia nos edifícios gregos clássicos, desmentindo o sonho da pureza absoluta desta arte.

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