NATURALISMO E REALISMO

 

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Imagens: Mark Harden's Artchive ; Artrenewal

 

GRUPO DE BARBIZON

É necessário alertar que a denominada "Escola de Barbizon", como também é identificado este grupo de artistas, não se refere a um estabelecimento de ensino, com paredes, mobiliário, corpo docente, etc. Escola designa, neste caso, um grupo de artistas que sentem ter certas afinidades entre si, mantêm contactos regulares e frequentes, mostram o seu trabalho e a sua evolução, aprendendo, desta forma, uns com os outros.

A pintura executada pelo denominado Grupo de Barbizon caracterizou-se por ser uma pintura de paisagem “en plain air”, isto é, ao ar livre. Pode parecer-nos, hoje em dia, bizarro referir este aspecto, mas é necessário lembrar que os recursos técnicos daquele tempo impunham constrangimentos à execução de obras fora das oficinas. Ao ar livre executavam-se esboços em desenho ou aguarelas. O grosso do trabalho do pintor era feito no recato do atelier. Nos inícios do século XIX surgiu a oportunidade de fazer parte do trabalho fora de portas, mas à custa de grandes esforços físicos de quem transportava os apetrechos.

Na sua arte procuravam analisar a natureza nos seus variados aspectos e fenómenos e procuravam representá-la fielmente. É neste ponto que se afastaram do Romantismo e se aproximaram do Realismo: recusaram a exagerada emoção e a sensação alterada, assim como não aceitaram a mistificação da natureza. Mas também rejeitaram a “Paisagem Histórica”, à maneira académica.

Mas também houve aspectos que partilharam com o Romantismo: a inquietação, a amargura pela incompreensão a que são sujeitos, a rejeição da civilização urbana, a atracção pela natureza virgem e selvagem.

O Grupo de Barbizon acolheu três gerações de artistas desde 1822, à volta da Estalagem Ganne.

Os primeiros foram Michallon, Aligny, Brascassat, Huet.

Depois surgiram Corot, Français, Hervier e Rousseau desde 1833 (em 1846 compra lá casa e nunca mais de lá sairá).

Em1849 apareceram Courbet, Barye e, de vez em quando, Dupré e Daubigny. Alguns estrangeiros (Jongkind, Liebermann, Grigorescu), críticos (Thoré), amadores (Sensier) e escritores (Gautier) também se integraram no grupo.

Mais tarde, até impressionistas fizeram lá parte da sua formação: Monet, Sisley, Renoir, Bazille.

A sucessão de gerações e o facto de se influenciarem mutuamente fez deste grupo uma verdadeira ESCOLA.

De início foram ignorados pelo público e pela crítica. Só em 1848 passaram a expor no Salon, entretanto reformado, e passaram a gozar de alguma simpatia do Poder então instalado. Na Exposição Universal de 1855, dá-se a consagração do grupo.

As características estéticas que apresentavam são: desenham e pintam a partir do natural, preocupando-se em traduzir fielmente o local e a impressão experimentada. Fazem os seus estudos ao ar livre e acabam na oficina as obras, de forma a atingirem resultados mais elaborados.

As grandes influências foram: Georges de Michel (1763- 1843); os paisagistas ingleses; a pintura holandesa do séc. XVII exposta no Louvre (Hobbema, Ruysdael, Potter, Van Ostade).

A principal figura foi Théodore Rousseau (1812- 1867), o elemento fundador.

Ao ver recusada e ridicularizada a sua obra “Descida das Vacas no Jura”, no Salon de 1835, deixou de expor em público e isolou-se em Barbizon. A ele juntar-se-á uma série de outros artistas igualmente ignorados.

A sua formação fez-se na Academia, em visitas ao Louvre e com estudos do natural nos arredores de Paris.

A sua obra far-se-á ao longo das suas numerosas viagens por toda a França: Auvergne (1831), Normandia (com Huet), Jura (verão de 1834), Berry e Landes (em que estudará variações da atmosfera e da luz, com Dupré), florestas à volta de Paris (paisagens de neve).

Na 2ª República atingiu a consagração, tendo no Salon 1850 exposto “Saída da Floresta de Fontainebleau”.

Estabeleceu-se em Barbizon, pobre e solitário, representando os sítios mais pobres e selvagens da floresta, as árvores centenárias, os rochedos, as lagoas, os poentes, as tonalidades do céu e da luz (“Sol-poente na charneca de Arbonne”).

Apresentava uma visão panteísta da natureza e das suas intenções filosóficas. Do Romantismo retira o lirismo, o gosto dos contrastes, os efeitos da luz e da cor. Do naturalismo apresenta os estudos ao natural.

Panteísmo: s.m. 1. Filos. Doutrina metafísica segundo a qual Deus e o mundo formam uma unidade. Para o panteísmo Deus é imanente ao mundo, não distinto deste. 2. Rel. Tendência para considerar a natureza como um ser divino, dotado de uma unidade vital e dinâmica.

In, Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa, Verbo

Mestre e líder do Grupo de Barbizon, influenciará muito os impressionistas nos anos 60.

 

Outras figuras:

Jules Dupré (1811- 1889): amigo e companheiro de Rousseau até 1849, influenciaram-se mutuamente (”Comporta”, 1846). Também se inspira nos holandeses e ingleses e representa interiores de bosques, de forma simples e sem artifícios (“Planalto de Belle-Croix”, 1830). Relacionou-se com Daubigny e Daumier quando se estabeleceu em Isle-Adam, vale do Oise.

Diaz de la Peña (1807- 1876): começou a carreira com uma pintura próxima de Delacroix e dos pintores do séc. XVIII com um certo sucesso (motivos mitológicos, telas coloridas). Depois do encontro com Rousseau (1837), tornou-se paisagista em Barbizon e detém-se na representação da luz (“As colinas de Jean de Paris”, 1867).

Charles Daubigny (1817- 1878): destes todos, foi o que possuiu a formação mais completa. Teve lições com Delaroche, fez viagens a Itália, executou cópia de holandeses no Louvre. Residiu em Barbizon e em Marvan.

Quando começa a vender obras ao Estado (1850) passou a viajar: Opte Voz, Isére, onde teve um encontro decisivo com Corot (“Comporta de Opte Voz”, 1855). Em Auvers, onde constrói uma oficina flutuante, trabalhou sobre o Oise, no que será mais tarde imitado por Monet. Em Trouville, Normandia, 1866, encontrou-se com Courbet e Boudin e, em Inglaterra, com Monet, entre 1866 e 1870.

Foi vizinho de Pissarro e Cézanne, dois impressionistas.

O seu estilo estava muito próximo daquele que será adoptado pelos impressionistas, com tons claros e um tanto crus (“Barcaças”, 1855; “Mar em Villerville”). Pintava ao ar livre, em plena natureza, entre a terra e a água.

Barye (1795-1875), fez estudos de floresta e de rochedos a fazer de cenários a animais selvagens.

Charles Jacques (1813- 1894).

Troyon (1810- 1865) de estilo vigoroso, num verismo excessivamente linear. Fez uma  viagem à Holanda em 47. Representava rebanhos em contra-luz, em luz matinal ou ao pôr-do-sol e manifestou um gosto pelos grandes formatos, embora atingisse maior delicadeza com pequenos formatos. Reproduzia delicadamente a luz (“A Manhã”) e reproduzia excelentemente os grandes espaços e os estados atmosféricos (“Antes da Tempestade”).

Paisagistas regionalistas: Guigou (1834- 71); Ravier (1814-95).

 

 

ITÁLIA

caracterizou-se por um certo VERISMO, registando-se diversos centros regionais:

Nápoles: Gigante (1806- 76), Van Pitloo (1790- 1837), irmãos  Filippo (1818-99) e Giuseppe (1812- 88) Palizzi, De Gregorio (1829- 75).

Piemonte: mais rica e variada, destacando-se Fontanesi (1818- 82)

 

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