NATURALISMO E REALISMO

 

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Imagens: Mark Harden's Artchive ; Artrenewal

O Realismo  e o Naturalismo foram DUAS REACÇÕES À MESMA REALIDADE, mas com respostas diferentes. No  REALISMO podemos notar um maior comprometimento político em que a arte deveria constituir um meio de denúncia social (Daumier, Millet, Courbet), enquanto que no NATURALISMO haveria um menor comprometimento político, fazendo da representação da natureza e do meio rural uma fuga à realidade urbana (Corot, Grupo de Barbizon).

Ambas se interessam pelo mundo contemporâneo: observam a realidade e reproduzem-na com sinceridade.

Foram MOVIMENTOS ESPECIFICAMENTE FRANCESES fruto da Sociedade de entre 1830 e 1870.

A sociedade francesa a partir da década de 30 foi marcada pela REVOLUÇÃO INDUSTRIAL que se iniciou em França décadas depois do mesmo ter acontecido em Inglaterra. Assinalou o triunfo do Capitalismo e provocou desequilíbrios económicos e desajustamentos sociais:

Ø      Começo do predomínio da Industria e, mais tarde, do sector financeiro (bancos, seguros, sociedades de investimento); consequente desvalorização da Agricultura/ terra;

Ø      Domínio da Burguesia sobre a classe popular, substituindo grupos sociais tradicionais (clero e nobreza); nascimento do Proletariado;

Ø      Crescimento da população e área urbanas; as estruturas das cidades não conseguem responder à pressão urbanística, fazendo com que as condições de alojamento e de salubridade sejam muito más;

Ø      Desajustamento das estruturas sociais à nova realidade: miséria, desemprego, crises económicas, educação, assistência na doença, etc.

Por outro lado e, em grande parte, como reacção, assiste-se ao NASCIMENTO DAS IDEIAS DEMOCRÁTICAS E SOCIALISTAS:  rejeita-se a sociedade capitalista e propõem-se alternativas, ditas “utópicas” (Fourier, Saint-Simon, Padre Enfantin, Considérant, Proudhon), ou ditas “científicas” (Marx e Engels; em 1847 é publicado “O Manifesto Comunista” e em 1867 “O Capital”). Outros sectores também se pronunciam, como por exemplo os católicos liberais, tais como  Lamernnais, Lacordaire, Monttalembert, que divulgam um cristianismo generoso e moderno.

Estabelece-se a separação Estado/ Igreja como consequência da progressiva laicização da sociedade.

Por outro lado, divulga-se a crença no PROGRESSO CIENTÍFICO, herdeira do Iluminismo. Resulta na ideia de que a Ciência tem o poder de resolver todos os problemas da humanidade (cientismo) e de que o Progresso em si seria sempre positivo.

Surge o POSITIVISMO como método de percepcionar o universo e que vai dominar a forma de fazer ciência até ao século XX, sendo hoje ainda uma base do trabalho científico, ainda que revisto.

As tensões sociais conduzirão à Revolução de 1848 (Fevereiro), na qual vence a classe popular e o Poder é assumido por Luís Napoleão Bonaparte (II República), o qual, em 1852, proclama o II Império. Este acto foi visto como traição aos ideais de 1848. Este período coincidirá com o momento mais decisivo dos estilos que estudamos.

Entre o grupo dos artistas relacionados com o estilo Realista e Naturalista e a classe dominante (burguesia) houve uma situação que evoluiu: na década de 30 houve uma completa rejeição desta estética por parte da generalidade do público, que era, esmagadoramente, burguês; depois da Revolução de 1848 assistiu-se a um aceitação, embora com algumas reservas aos elementos mais radicais; a partir de 1855-56 deu-se a consagração.

São influenciados por  novas teorias perceptivas (POSITIVISMO), novos interesses sociais (SOCIALISMO) e uma nova concepção de História. Até então só havia interesse pelas personagens extraordinárias ou pela natureza idealizada ou sonhada (Neoclassicismo e Romantismo). AGORA, passam a representar:

§         pessoas vulgares em actividades vulgares e quotidianas,

§         paisagem urbana,

§         paisagem verdadeiramente rural (e não abstracções idealizadas).

 

A II República e o II Império foram épocas de grande apoio às artes:

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O Estado faz grandes encomendas: trabalhos de obras e edifícios públicos, (Haussmann, Ópera, etc.); O Museu do Luxemburgo passa a albergar as encomendas do Imperador e do Governo. Promovem-se Exposições Universais (Londres, 1851 e 1862; Paris, 1855 e 1867) e concursos promovidos pelo Governo.

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Surge um mecenato particular: iniciativa de uma classe abastada e rica, que construiu grandes edifícios particulares, num gosto ecléctico e tolerante;

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Dá-se uma transformações nas instituições artísticas: em 1848, com a supressão do júri do Salon (anual desde 1831) abre a participação dos artista sem haver exame prévio. Nesta altura os naturalistas conseguem expor e vender com assinalável êxito. Em 1849 é restabelecido o júri (tinha havido distúrbios no ano anterior) mas adopta um critério liberal. Assiste-se a um grande êxito de Courbet, que expõe 7 obras das 11 propostas, uma delas comprada pelo Governo (“Uma Tarde em Ornans”), e atribui-lhe uma medalha que o dispensa de exames. Até 1870, o júri é atribuído à Academia das Belas-Artes, mas após aquela data passa a ser eleito por ex-expositores, renunciando o Governo a dirigir a criação artística, exceptuando as encomendas e aquisições do Estado.

O Salon, durante o séc. XIX, foi de uma grande importância para a arte, pois determinava as compras oficiais e particulares e os respectivos preços, envolvendo não só a organização do Salon, mas também a crítica e o público em geral. Aí se digladiavam a “Pintura Oficial” e a “Vanguarda”, com as eternas discussões sobre estética admissível, consagrações, reabilitações, exposições paralelas/alternativas (Courbet expõe em 1855 no chamado “Pavilhão do Realismo” porque vê recusados as suas obras mais importantes; em 1863 dá-se o escândalo do “Salão dos Recusados” com o “Esplendor na Relva” de Manet; em 1866, Courbet apresenta-se na sala de honra mas sem recompensa; no ano seguinte, Courbet e Manet promovem novas exposições pessoais).

 

 

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